Obesidade e Sedentarismo: Qual foi o primeiro, o ovo ou a galinha?

Detectámos que tem um Ad Blocker ativo.

As receitas provenientes da publicidade permitem-nos continuar a produzir artigos de qualidade. Considere desligar o Ad Blocker neste site. Obrigado pelo seu apoio.

obesidade

Sempre se disse que para perder peso é preciso “comer menos e fazer exercício”. Daqui deduz-se que as pessoas com excesso de peso ou com problemas obesidade comem demasiado e são sedentárias, ou por outras palavras, são glutonas e não gostam de se mexer.

 

Mas e que tal se começarmos a pensar de forma diferente?

A maioria das pessoas e dos especialistas de saúde pensam que a obesidade é consequência directa do sedentarismo, mas um estudo recente vem agora contradizer esta ideia.

O estudo em questão foi realizado por investigadores alemães e foi apresentado no passado dia 18 de maio no Congresso Europeu de Endocrinologia. Neste estudo foi realizado um teste muito interessante para avaliar as capacidades de coordenação motoras das pessoas obesas.

O teste consistia em fazer balancear um pêndulo de forma sincronizada com o movimento oscilante de uma bola que saía de uma janela, ou com um sinal de áudio que se movia do ouvido esquerdo para o ouvido direito. O que descobriram foi que as pessoas obesas têm mais dificuldade em sincronizar o pêndulo com o sinal visual ou de áudio, ao passo que as pessoas não obesas o faziam com muito maior precisão.

Este resultado mostrou que as pessoas obesas têm falta de coordenação motora. O Dr. Johann Issartel, autor do estudo, explicou estes resultados através de uma analogia: se fosse um baile, as pessoas obesas estariam a dançar fora de ritmo.

E o que é que tem o sedentarismo a ver com o facto das pessoas obesas serem piores dançarinos? Pelos vistos muita coisa.

Para começar, uma falta de coordenação motora pode fazer com que actividades tão simples como atar os sapatos ou abotoar uma camisa sejam tarefas mais difíceis. Imagine o que isso pode significar em termos de estado anímico ou de qualidade de vida, se cada vez que tivesse de fazer pequenas coisas óbvias do dia-a-dia se sentisse um “desajeitado”, um “incapaz” ou um “incompetente”. Logo por aqui, uma pessoa com este tipo de problemas estará menos disposta a fazer exercício físico, que todos sabemos que requer motivação e esforço.

Depois, para fazer exercício precisamos normalmente de usar bastante a nossa coordenação. Quer seja alternando o movimento das pernas, movimento dos braços, ou movimento de braços e pernas, tronco com extremidades, parte superior com parte inferior, etc. Até o simples acto de caminhar requer este tipo de coordenação! Já para não falar de correr, andar de bicicleta, ou uma aparentemente inocente aula de Zumba. Uma pessoa com falta de coordenação motora vai-se sentir como uma “barata tonta” num baile de galinhas, se estiver numa aula de grupo onde realizar movimentos ao ritmo da música é o centro da diversão.

E isso desmotiva. E muito. Sem contar com o facto de que uma pessoa com excesso de peso tem uma maior dificuldade de movimentos em geral, pois tem as articulações em pior estado (devido ao excesso de peso e pela inflamação interna associada), tendo que fazer um esforço maior para mover todo o seu peso, e o facto de ser mais volumoso limita ainda mais a amplitude de movimentos.

 

Ainda acredita que as pessoas obesas são sedentárias porque querem?

O estudo sobre o qual e estamos hoje a falar sugere exactamente o contrário. Talvez não seja o sedentarismo que provoca a obesidade, e não se trata das pessoas obesas serem pessoas mais paradas. Talvez o sedentarismo seja uma consequência das dificuldades motoras que estão associadas à obesidade.

É tempo de mudar a nossa percepção para com as pessoas obesas ou com excesso de peso, e deixar de as culpar exclusivamente pela sua condição. Não são pessoas desajeitadas, incapazes ou glutonas. Trata-se apenas de pessoas que sofrem de uma série de dificuldades reais e que precisam de ajuda e empatia, não de juízos de valor e discriminação.

Imagem via Flickr

loading...

Deixe o seu comentário